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Pré-natal: preparação essencial para a chegada do bebê

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Muitas pessoas não têm consciência disso, mas, infelizmente, nem todas as gestantes realizam o pré-natal. Por mais que o assunto seja bastante comentado, algumas pessoas não entendem a importância de acompanhar de perto a evolução da gravidez e só procuram um médico quando a gestação está bem avançada ou quando o parto está próximo.

Dessa forma, é sempre válido ressaltar a importância do pré-natal, lembrando que é ele que vai garantir uma gravidez saudável e um parto sem riscos, tanto para a mãe quanto para o bebê.

De acordo com Isaac Yadid, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana e diretor médico da Primordia Medicina Reprodutiva, no Rio de Janeiro, diversos estudos apontam para a relação entre o pré-natal e a saúde do bebê. “As complicações maternas como infecção urinária, pressão alta, descolamento prematuro de placenta, diabetes, alterações de tireoide, infecções congênitas (toxoplasmose, citomegalovírus, sífilis, HIV), uso de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas e a má alimentação são determinantes para a prematuridade e outras complicações graves ao recém-nascido”, explica.

“Uma estatística recente do Ministério da Saúde, por exemplo, mostra que entre 2011 e 2013, 419 bebês com menos de um ano morreram em decorrência da sífilis congênita, aquela que é transmitida pela mãe. Em 2011 esse número era de 211. O exame de sífilis é um dos incluídos na rotina do pré-natal e a transmissão da doença da mãe para o bebê se dá pelo não diagnóstico ou a falta de tratamento adequado durante a gestação”, acrescenta o ginecologista.

O que significa o pré-natal?

Mas, afinal, o que é exatamente o pré-natal?

Isaac Yadid explica que o acompanhamento pré-natal engloba uma série de exames e consultas médicas aos quais as grávidas devem se submeter durante todo o período que antecede o nascimento do bebê.

O ideal é iniciá-lo logo no primeiro trimestre, assim que a mulher souber da gravidez. Ou ainda, se possível, antes da gestação, durante o planejamento.

“É importante para o acompanhamento e avaliação do estado de saúde de mãe e filho. É durante o pré-natal que conseguimos identificar e reduzir vários problemas de saúde em ambos, como doenças, infecções ou disfunções podem ser detectadas precocemente e tratadas de forma rápida”, destaca o ginecologista.

Exames essenciais do pré-natal

Abaixo você conhece quais são os principais exames que são/devem ser feitos no pré-natal:

1. Hemograma

Quando será feito?

Conforme explica Yadid, o hemograma é um dos primeiros exames que será solicitado para a gestante, normalmente já na primeira consulta. Ele poderá ser solicitado ainda outras vezes ao longo da gravidez.

Objetivo

“É através dele que conseguimos identificar várias alterações, como infecções e a anemia. Durante a gestação o médico pode solicitá-lo mais vezes de acordo com as condições clínicas da mãe”, destaca o ginecologista.

Preparação para o exame

O mais adequado é que a gestante esteja em jejum de três horas, de acordo com Yadid.

2. Glicemia

Quando será feito?

De acordo com Yadid, normalmente esse exame é solicitado na primeira consulta. “E, se tudo estiver dentro dos padrões, deve ser repetido entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez, quando o corpo apresenta mais dificuldade para assimilar o açúcar”, diz.

Objetivo

O ginecologista explica que o exame de glicemia indica a quantidade de glicose presente no sangue, e detecta a intolerância à glicose e o diabete.

Preparação para o exame

Para fazer este exame, de acordo com Yadid, é necessário jejum de oito horas.

3. Sistema ABO e fator Rh

Quando será feito?

Esse exame é pedido na primeira consulta, logo no início da gestação, conforme destaca Yadid.

Objetivo

“O Sistema ABO identifica o tipo sanguíneo da mãe; e o fator Rh, se é positivo ou negativo. Se a mãe for fator negativo e o bebê fator positivo, pode se desenvolver um quadro chamado eritroblastose fetal. Quando o sangue de mãe e filho entram em contato no parto, é formado um anti-Rh no corpo da mãe, que pode destruir as hemácias do próximo bebê Rh+ que ela tiver. Sabendo dessa diferença de fatores, é ministrado um medicamento após o parto que impede que esses anticorpos se formem”, esclarece o ginecologista.

Preparação para o exame

O exame não exige preparo prévio.

4. Sorologia para HIV e VDRL

Quando será feito?

Yadid destaca que esses exames também são solicitados na primeira consulta.

Objetivo

“O de HIV detecta a presença do vírus da AIDS no organismo da mãe; o VDRL, a presença da sífilis”, explica o ginecologista.

Preparação para o exame

Não há necessidade de preparo prévio para o exame.

5. Reação para toxoplasmose e rubéola

Quando será feito?

De acordo com Yadid, esses exames são solicitados na primeira consulta e repetidos no terceiro trimestre.

Objetivo

“Também fazem parte da rotina do pré-natal e indicam se a gestante teve contato com o agente causador da toxoplasmose (protozoário Toxoplasma gondii) ou da rubéola (Rubella vírus)”, explica o ginecologista.

Preparação para o exame

Não há necessidade de preparo prévio para o exame.

6. Exame de urina

Quando será feito?

“Esse exame é pedido na primeira consulta e, de acordo com a avaliação do obstetra, pode ser repetido nos outros trimestres”, destaca Yadid.

Objetivo

“É um exame que faz parte da rotina, principalmente para identificar infecções urinárias, que podem estar relacionadas ao parto prematuro”, explica o ginecologista.

Preparação para o exame

De acordo com Yadid, não há necessidade de preparo prévio para este exame, “mas é recomendado que seja feito com a primeira urina do dia, ou após o intervalo de mais de quatro horas entre um xixi e o outro”.

7. Exame de fezes

Quando será feito?

“Normalmente é solicitado na primeira consulta e pode ser repetido em caso de diarreia ou outros sintomas clínicos”, esclarece Yadid.

Objetivo

De acordo com o ginecologista, esse é um exame que faz parte da rotina, pois identifica a presença de verminoses.

Preparação para o exame

“Para o exame parasitológico de fezes não há necessidade de preparo, mas é recomendado que seja feito pela manhã”, explica o ginecologista.

8. Sorologia para hepatite B e C

Quando será feito?

De acordo com Yadid, este é mais um tipo de exame solicitado na primeira consulta.

Objetivo

“Ele identifica a presença dos dois tipos de vírus (da hepatite B e C)”, destaca.

Preparação para o exame

Não há necessidade de preparo para o exame.

9. Papanicolau

Quando será feito?

“O papanicolau é realizado na primeira consulta caso a gestante não esteja em dia com o exame”,explica Yadid.

Objetivo

“Com esse exame faz-se o rastreio do câncer do colo do útero”, destaca o ginecologista.

Preparação para o exame

É recomendável que a mulher mantenha abstinência sexual nas 24 horas que antecedem o exame. Ela deve evitar ainda, nas 48 horas anteriores, o uso de duchas, pomadas ou cremes vaginais.

10. Ultrassom

Quando será feito?

Logo no começo do pré-natal será realizado um ultrassom, que deverá/poderá ser repetido quantas vezes o médico responsável achar necessário. Há profissionais que o realizam, por exemplo, em todas as consultas pré-natais.

Objetivo

“É indicado para confirmar a cronologia da gestação e para prognóstico de doenças cromossômicas ou malformações”, destaca Yadid.

Preparação para o exame

Geralmente não há necessidade de nenhum preparo especial, mas, caso seja, isso será informado pelo médico.

11. Ultrassom morfológico

Quando será feito?

De acordo com Yadid, o ultrassom morfológico é realizado no segundo trimestre.

Objetivo

“O exame tem o objetivo de analisar a formação dos órgãos fetais e indica malformações”, destaca o ginecologista.

Preparação para o exame

Geralmente não há necessidade de nenhum preparo especial.

Vitaminas e suplementos no pré-natal

Domingos Mantelli, ginecologista e obstetra pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e Pós-Graduado Residência Médica na área de Ginecologia e Obstetrícia, fala sobre vacinas e suplementações que podem (ou não) ser necessárias no pré-natal.

1. Vacinas

Mantelli explica que o ideal é que a gestante atualize o calendário vacinal antes da gestação, e não durante a gestação. “Durante a gestação serão dadas apenas aquelas vacinas que o médico julgue necessárias, não existe uma regra”, diz.

Ele cita que, basicamente, a grávida poderá tomar:

  • Vacina da gripe: a qualquer momento;
  • DTPA: que é para Difteria, Tétano e Coqueluche, e que é dada a partir de 27 semanas.

“Excetuando-se essas duas vacinas, o obstetra vai avaliar para ver se há ou não necessidade de outras vacinas”, destaca Mantelli.

2. Ácido fólico

O obstetra explica que o ideal é que a gestante tome ácido fólico pelo menos três meses antes de engravidar e durante o primeiro trimestre de gestação, na dosagem de 5mg ao dia.

“Esse ácido fólico é extremamente importante para evitar o fechamento precoce do tubo neural, que é a parte da formação do sistema nervoso central da criança”, explica Mantelli.

3. Ferro

O obstetra explica que nem sempre a grávida precisa de suplementação com ferro, “a não ser aquelas grávidas que já tinham uma anemia por deficiência de ferro antes de engravidar”.

“Caso ela tenha os níveis de ferro adequados, não há necessidade de suplementação com ferro. Quem vai ter de avaliar e ver a necessidade de suplementação vai ser o ginecologista obstetra dela”, destaca Mantelli.

4. Polivitamínicos

“A suplementação durante a gestação é indicada em todo o período gestacional. Existem polivitamínicos que a gestante compra na farmácia – que ela pode utilizar durante toda a gestação – e vão suprir a necessidade dos elementos básicos que o bebê vai precisar para a formação”, destaca o obstetra.

5. Vitamina D

Mais uma vez: não é uma regra. “Se houver uma deficiência orgânica de vitamina D, aí sim vale a pena a suplementação, pois ela faz bem nesse período de formação do bebê. Caso a gestante já tenha níveis adequados, não haverá necessidade de suplementação”, diz Mantelli.

6. Ômega 3

“Somente se houver uma deficiência orgânica de Ômega-3 vale a pena a suplementação, pois ele também faz bem nesse período de formação do bebê. Caso a gestante já tenha níveis adequados, não haverá necessidade de suplementação”, destaca Mantelli.

“Mais uma vez vale dizer que é o obstetra quem tem de avaliar e indicar essas substâncias. O uso indiscriminado delas, com a automedicação, pode, inclusive, trazer problemas. Então, somente o obstetra poderá liberar”, acrescenta o médico.

Cuidados que a gestante deve ter

A gravidez é uma fase mágica na vida da mulher, mas é também um período que inspira cuidados e costuma gerar muitas dúvidas. Vale ressaltar, porém, que, embora o período exija atenção, geralmente é possível que a gestante mantenha uma rotina sem muitas restrições.

Algumas das coisas que a gestante NÃO pode fazer são:

  • Depilação a laser;
  • Tomar bebidas alcoólicas em excesso;
  • Comer alimentos crus ou de qualidade duvidosa;
  • Beber café em excesso;
  • Exagerar no consumo de doces e massas;
  • Faltar às consultas do pré-natal.

Em contrapartida, não há restrições para muitas coisas. A mulher grávida pode, de forma geral:

  • Fazer depilação (com cera);
  • Exercitar-se (desde que com autorização do médico);
  • Fazer sexo;
  • Ir à praia (lembrando de utilizar protetor solar adequado);
  • Viajar de avião (desde que tenha uma gestação de baixo risco).

Mantelli ressalta que os cuidados na gravidez são muito relativos e vão variar demais de uma gestante para a outra. “Vai depender do estado físico dela, do estado de saúde antes da gestação, ou seja, o obstetra vai ter de avaliar e, para cada grávida, a recomendação é diferente. Não existe uma regra a ser seguida de cuidados na gestação. Obviamente que recomendações gerais, como alimentação balanceada, atividades físicas servem para todas, porém, cada uma vai ter um grau diferente, um nível nutricional diferente, um tipo de atividade física que poderá fazer. Então, não existe uma regra geral”, diz.

Pré-natal no SUS: conheça os direitos da gestante

A gravidez representa nove meses de preparo para o nascimento do bebê. O Ministério da Saúde ressalta a importância do pré-natal e incentiva todas as mães a buscarem atendimento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS).

O ideal é que a mulher inicie o pré-natal logo no primeiro trimestre, assim que souber da gravidez. Com os exames e acompanhamento médicos realizados, é possível identificar e reduzir muitos problemas de saúde que podem acometer a mãe e o bebê. Além disso, esse é o momento da futura mamãe tirar todas as suas dúvidas sobre a gestação, o parto e o pós-parto.

O SUS realiza gratuitamente exames básicos durante a gestação, como de urina e de sangue para verificar a existência de doenças como hepatite B, toxoplasmose, sífilis, HIV e outros problemas, além de aplicar vacinas e oferecer medicamentos, se necessário.

“Muito difícil dizer como é o pré-natal no SUS, os direitos das mulheres, porque os direitos das mulheres são inúmeros. Elas têm direito a acompanhante durante o pré-natal, durante o parto, no pós-parto, enfim, uma infinidade de direitos”, comenta Mantelli.

“Geralmente, as consultas são protocolares, onde ela vai fazer os exames necessários para cada período. São consultas mensais geralmente até 36 semanas. Posteriormente, quinzenais (até 39, 40 semanas). E semanais até o nascimento, não passando de 41 semanas. Geralmente essa é a regra, mas falar de direito da gestante é complicado. Ela deve e tem direito a realizar todos os exames e deve fazer, pelo menos, três ultrassons durante o pré-natal, um a cada trimestre, mas além desses tem muitos outros”, acrescenta o obstetra.

Pré-natal no plano de saúde

As mulheres que possuem plano de saúde devem se informar sobre a cobertura de exames pré-natal, consultas, parto, hospitais e atendimentos de emergência com a operadora logo no início da gravidez ou, preferencialmente, quando começarem a planejar a gravidez.

Vale destacar que uma mesma operadora oferece diferentes tipos de planos, o que significa coberturas variadas.

De forma geral, os planos de saúde cobrem exames básicos solicitados no pré-natal, porém, a maior diferença é que alguns planos têm cobertura total de diversos exames e internações, enquanto outros dão direito apenas às consultas e exames básicos.

A operadora do plano de saúde pode ainda restringir os números de consultas e exames realizados por mês ou durante todo o período da gestação. É importante saber tudo isso e, também, verificar se existe alguma carência para a cobertura de partos (caso o plano tenha sido adquirido recentemente).

Como a cobertura dos planos de saúde é bastante variada e pode gerar muitas dúvidas, o ideal é ler atentamente o contrato da operadora para saber sobre seus direitos. É importante também informar o médico sobre as condições do plano, até para que ele possa orientá-la sobre a melhor forma de proceder com o pré-natal e o parto.

9 dúvidas sobre o pré-natal esclarecidas

Abaixo, Taluana Franchi Rizzo, ginecologista da Clínica Doutor Família, esclarece as principais dúvidas que muitas gestantes têm sobre o pré-natal.

1. O que devo perguntar na primeira consulta ao obstetra?

Taluana Rizzo: Normalmente, na primeira consulta, a paciente está ansiosa pela novidade e, muitas vezes, porque está conhecendo o ginecologista naquele momento.

Vale a pena perguntar sobre quais alimentos pode ou não comer; uso de adoçantes e ou açúcar; sobre exercícios físicos (se pode ou não iniciar atividades físicas na gestação , quando começar e que tipo de exercício pode fazer); procedimentos estéticos e outras dúvidas que possa ter.

Obviamente que os questionamentos surgem com o decorrer da gestação; sendo assim, é válido anotar as dúvidas que surgem entre uma consulta e outra para não esquecer.

Muito importante e que pode, inclusive, definir a manutenção do acompanhamento com aquele médico ou não, é em relação ao parto. Atualmente muitos colegas acompanham a paciente durante o pré-natal, mas não fazem o parto. Diante disso, saber se seu médico faz o parto pelo convênio ou não, e se realiza ou não parto vaginal, é primordial hoje em dia.

2. Quantas vezes devo ir à consulta com o obstetra durante a gestação? E qual o intervalo de tempo entre as consultas?

Taluana Rizzo: De acordo com o Ministério da Saúde, a gestante deve ter o mínimo de 5 consultas, sendo ideal o intervalo de 4 semanas entre elas, e de 15 dias a partir de 36 semanas, desde que o início do pré-natal seja no primeiro trimestre da gestação.

Entretanto, na prática clínica, costuma-se acompanhar a paciente a cada 15 dias a partir de 32 semanas, e a cada 7 dias a partir de 37 semanas.

3. Posso pular algum exame do pré-natal?

Taluana Rizzo: Não. Os exames realizados durante o pré-natal servem para rastrear estados mórbidos que podem ser específicos da gestação ou até preexistentes que podem levar a alterações para a gestante e o feto e são tratáveis ou, no mínimo, possíveis de acompanhamento. Alguns exames fazem diagnóstico de patologias com consequências graves ao binômio mãe-feto, como o Diabetes Gestacional; além do diagnóstico de doenças como sífilis e HIV.

4. Em que época posso começar a sentir os movimentos do bebê?

Taluana Rizzo: A mãe mais experiente já pode sentir os primeiros movimentos com 16 semanas , período em que o feto tem entre 14 e 17cm e cerca de 100g. Com 20 semanas, os movimentos como pontapés já são bem perceptíveis mesmo pelas primigestas ( mulheres grávidas pela primeira vez).

5. Quando vou poder descobrir se vou ter menina ou menino?

Taluana Rizzo: Com os avanços na medicina diagnóstica, já é possível o conhecimento do sexo do bebê a partir de oito semanas, por um exame conhecido como sexagem fetal – em que se procura a presença do cromossomo Y no sangue periférico da mãe. Na presença desse achado, faz-se o diagnóstico do sexo masculino.

A genitália torna-se bem evidente pela ultrassonografia a partir de 16 semanas, sendo assim, na ultrassonografia morfológica de segundo trimestre, já é possível determinar com certeza qual o sexo do bebê.

Alguns ultrassonografistas mais experientes já conseguem, a partir de 12 semanas, a identificação do sexo através do broto embrionário.

6. No pré-natal meu médico deve me orientar sobre minha alimentação? Ou preciso de acompanhamento de um nutricionista?

Taluana Rizzo: No geral, o médico consegue orientar a paciente quanto à alimentação, enfatizando a necessidade de uma dieta fracionada e equilibrada. Entretanto, qualquer ganho ou perda excessiva de peso, principalmente no primeiro trimestre de gestação, requer uma atenção mais especializada, devido às consequências que pode acarretar tanto para a mãe, quanto para o feto, podendo levar ao trabalho de parto prematuro, crescimento fetal inadequado, anemia e até malformações fetais. Sendo assim, caso o médico identifique alguma alteração no peso da gestante (ganho ou perda) deve considerar o atendimento complementar da nutricionista visando o bem-estar do binômio materno-fetal.

7. Qual o ganho de peso considerado ideal para a gestante, durante toda a gravidez?

Taluana Rizzo: Na primeira consulta de pré-natal a gestante deve ser pesada e medida e avaliado seu IMC (índice de massa corpórea). O ganho de peso aceitável na gestação varia de acordo com esse IMC: quanto maior ele for, menor deve ser o ganho de peso.

Pensando numa paciente eutrófica, ou seja, IMC entre 19-26, o ganho de peso aceitável é de 11,5 a 16 kg.

8. No pré-natal vou receber orientações sobre como me preparar para o período da amamentação?

Taluana Rizzo: Faz parte das consultas de pré-natal o exame das mamas para avaliar o tipo de mamilo que a gestante apresenta e as possíveis dificuldades que a mesma possa ter para amamentar. Não se costuma estimular o preparo do mamilo com utensílios abrasivos como bucha vegetal, por exemplo, e nem o estímulo manual do mesmo pelo risco do trabalho de parto prematuro. Pode se expô-los ao sol para que minimize a chance de fissuras.

Em relação à pega correta para amamentação, cabe ao obstetra orientar a paciente no final da gestação, bem como na maternidade, após o parto, para que, com isso, a paciente consiga amamentar o bebê minimizando o risco de fissuras, dores e sangramentos.

9. Quando devo dizer ao meu médico o tipo de parto que desejo ter?

Taluana Rizzo: Na primeira consulta! A via de parto deve ser discutida desde o início da gestação para que a paciente se sinta segura da escolha feita tanto em relação à via de parto, quanto ao profissional escolhido para compartilhar esse momento. E para que possa, assim, chegar no parto tranquila quanto ao andamento do mesmo e, consequentemente, possa somente desfrutar desse momento tão especial e esperado.

Quanto mais informada e esclarecida a paciente estiver quanto aos riscos e benefícios de cada via de parto, mais segura estará na sua escolha e no parto propriamente dito.

Parto normal: por que optar por ele?

O parto é um momento da mulher e, por isso, ela tem o direito de planejar, de expor o que deseja para o nascimento do seu bebê. No pré-natal, ela deve conversar abertamente com seu obstetra sobre o assunto, deixando claro o que espera.

Porém, vale lembrar que o Brasil é considerado o líder em cesáreas: a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que 15% dos nascimentos sejam via cesariana, mas, no País, na rede privada, as taxas chegam a 82% e, na rede pública, a 52%.

Neste sentido, é de extrema importância frisar os benefícios de se apostar no parto normal, para que a mulher tenha menos dúvidas sobre o assunto e possa se sentir mais segura caso opte por este tipo de parto.

Taluana destaca que o parto normal apresenta, dentre outras vantagens:

  • Uma recuperação extremamente rápida para a paciente mesmo quando há a realização da episiotomia. “A paciente encontra-se apta a realizar os cuidados do bebê e os seus com muita facilidade e de uma maneira indolor”, diz a ginecologista.
  • Devido à liberação hormonal que ocorre no trabalho de parto, o vínculo entre mãe e filho ocorre de forma mais natural e precoce, “tendo a mãe possibilidade de amamentar o bebê ainda na sala de parto, imediatamente ao nascimento”, lembra Taluana.
  • Para o bebê, “a passagem pelo canal de parto faz com que ocorra uma compressão torácica que proporciona a saída do líquido amniótico das vias aéreas do mesmo e minimiza o risco de um desconforto respiratório”, acrescenta a ginecologista.

Algumas mulheres dizem não querer o parto normal por o acharem “sofrido”. Mas, Taluana ressalta que, em sua opinião, o parto normal começa em primeiro lugar na cabeça da paciente. “Ela tem que estar preparada para ele para que ocorra de uma forma natural e não sofrida. O mais importante é a informação. A paciente deve tirar todas as dúvidas em relação ao parto com seu obstetra, pois caso permaneça qualquer ‘interrogação’ quanto ao parto, ela poderá não se sentir segura e atrapalhar a evolução do parto , tornando-o sofrido”, orienta.

“Em relação a procedimentos durante o trabalho de parto, há a possibilidade de se amenizar a dor por meio de analgesia com peridural que pode ser realizada em qualquer momento em que a paciente desejar , desde que haja supervisão da vitalidade fetal, e até a raquianestesia já no final do parto”, acrescenta a ginecologista.

“Outros procedimentos como acupuntura , hidroterapia , uso de bolas e massagem aliviam e muito a dor das contrações e trazem conforto físico e psicológico para a parturiente”, destaca Taluana.

A ginecologista lembra ainda da importância da presença de um acompanhante. “Pode ser um parente, uma amiga e até mesmo a doula (profissional que acompanha o trabalho de parto para confortar a parturiente)… Isso faz com que a mulher se sinta segura e mais tranquila para o período do trabalho de parto”, diz.

“A melhor via de parto é aquela para qual aquela paciente está preparada, desde que ela esteja ciente de todos os riscos e benefícios inerentes a cada procedimento”, ressalta Taluana.

Caderneta da Gestante: como ela pode te ajudar

Você já ouviu falar da Caderneta da Gestante? Ela pode ser uma boa aliada da mulher nesta fase importante.

Elaborada pelo Ministério da Saúde em conjunto com as Secretarias Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, a Caderneta da Gestante aborda vários assuntos, como, por exemplo:

  • Direitos da gestante antes e depois do parto;
  • Cartão de consultas e exames, com espaço para a gestante anotar suas dúvidas;
  • Dicas para uma gravidez saudável e sinais de alerta;
  • Informações e orientações sobre a gestação e o desenvolvimento do bebê, alguns cuidados de saúde, o parto e o pós-parto;
  • Informações e orientações sobre amamentação;
  • Orientações de como tirar a Certidão de Nascimento da criança.

O profissional de saúde poderá anotar ainda na caderneta todos os dados do pré-natal, escrevendo o resultado das consultas, dos exames, das vacinas e o que for importante para um bom acompanhamento do pré-natal.

Para baixar/visualizar a Caderneta da Gestante basta acessar este link.

Então, lembre-se: o pré-natal é fundamental para garantir a saúde do bebê e da gestante. É o momento de se preparar para o nascimento do(a) seu(ua) filho(a) e esclarecer todas as dúvidas que possa ter sobre o assunto.



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