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Os 22 principais mitos e verdades sobre diabetes

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Diabetes é uma doença com alta prevalência no Brasil e no mundo. Provavelmente por isso fale-se muito sobre a importância de prevenção e de controle da doença. Porém, ainda assim, é fato que existem muitas dúvidas e até “desinformações” sobre o assunto.

E, tanto para a prevenção como para o tratamento, é muito importante conhecer e se atentar aos fatos sobre o diabetes, fugindo de mitos, mas não deixando de enxergar a realidade sobre a doença. Por exemplo, muitas pessoas questionam se diabetes é mesmo um problema grave, ou ainda, se somente evitar o consumo de doces é o suficiente para controlar a doença. Mas esses são apenas exemplos de dúvidas comuns sobre o assunto.

Afinal, o que é diabetes?

Camila Secches, endocrinologista titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), especialista em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), professora de endocrinologia da Faculdade de Medicina de Itajubá, explica que diabetes é uma doença crônica que acontece quando o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz.

“A insulina é um hormônio que controla a quantidade de açúcar no sangue (glicemia). Nosso corpo precisa de insulina para utilizar a glicose dos alimentos que ingerimos como fonte de energia. Se o corpo não fabrica insulina ou não consegue utilizar a insulina que produz adequadamente, a glicemia fica alta (hiperglicemia). Se este quadro se mantém, pode levar a danos em órgãos como vasos sanguíneos e nervos”, destaca a endocrinologista.

Existem dois tipos muito comuns de diabetes. “O tipo 1 é causado por fatores genéticos e outras causas não conhecidas. No tipo 1, o corpo para de produzir insulina e, por isso, a glicemia sobe. O tipo 2 é causado por fatores genéticos associados ao estilo de vida. Estar acima do peso contribui para o desenvolvimento do Tipo 2 e uma dieta hipercalórica favorece o ganho de peso, independentemente da fonte das calorias”, explica Camila.

22 mitos e verdades sobre diabetes

Abaixo, profissionais esclarecem os principais mitos e verdade sobre a doença.

1. Diabetes acomete tanto mulheres como homens, de todas as idades

Verdade. Camila destaca que o diabetes acomete tanto homens quanto mulheres e pode ocorrer em qualquer faixa etária, apesar de a prevalência ser maior em indivíduos com mais de 18 anos.

“O quadro abaixo mostra a prevalência do diabetes no Brasil, de acordo com a faixa etária e o sexo, segundo o último estudo da VIGITEL, de 2011”, informa Camila.

2. Diabetes não é uma doença grave

Mito. Camila ressalta que diabetes é uma doença grave porque aumenta o risco de doenças (complicações da hiperglicemia crônica) em órgãos importantes do corpo, como olhos, rins, vasos sanguíneos e nervos. “Essas doenças podem ser prevenidas se o paciente tiver um bom controle da glicemia.”

3. Diabetes não tem cura

Verdade. Camila destaca que ainda não há cura para o diabetes. “Porém, existem estudos sendo conduzidos que, no futuro, podem levar à descoberta da cura para o diabetes. Para o tipo 1, está sendo estudada a terapia com células-tronco em pacientes recém-diagnosticados. Já para o tipo 2, os estudos com a cirurgia de redução de estômago têm mostrado aparentes bons resultados, mesmo em pacientes que não estão acima do peso”, diz.

4. Diabetes do tipo 1 é mais grave do que tipo 2

Mito. “Os dois tipos de diabetes devem ser conduzidos com objetivo de estabelecer um bom controle glicêmico para evitar as complicações da doença. No diabete tipo 1, o paciente deve necessariamente usar insulina o que leva as pessoas a acreditarem que é uma forma mais grave da doença. O tratamento com insulina pode ser necessário em qualquer tipo de diabetes e não indica gravidade da doença, necessariamente”, destaca Camila.

5. Diabetes é causado pelo consumo excessivo de açúcar

Mito. Camila explica que não é correto afirmar isto. “As duas formas mais comuns de diabetes não são causadas pelo consumo excessivo de açúcar.”

“O Diabetes tipo 2 é multifatorial, ou seja, diversas causas estão associadas ao aumento do risco de desenvolvê‐lo. As principais são: excesso de peso, idade, sedentarismo e história familiar”, explica Camila. “O diabetes tipo 1, na maioria das vezes é uma doença autoimune, que é uma falha no nosso mecanismo de defesa, levando à doença, independentemente do alimento que for consumido.”

“O açúcar está associado ao controle do Ddabetes e não à causa”, ressalta a endocrinologista.

6. A pessoa que está acima do peso desenvolverá diabetes tipo 2

Mito. Esta não é uma regra, por isso, não é correto dizer que toda pessoa que está acima do peso acabará por desenvolver diabetes tipo 2. Excesso de peso, de fato, é um fator de risco para o desenvolvimento desta doença, mas existem outros fatores de risco, como história familiar etc.

“Diabetes tipo 2 é uma doença que pode ser acelerada ou agravada por hábitos de vida e obesidade. É causada pela incapacidade do pâncreas de produzir insulina suficiente para reduzir a quantidade de açúcar da corrente sanguínea”, esclarece Ana Luisa Vilela, médica nutróloga da clínica Slim Form .

7. Pessoas diabéticas devem comprar sempre alimentos diet

Mito. Camila explica que os alimentos dietéticos não contêm açúcar adicionado, porém, apresentam açúcares naturais dos ingredientes que são os carboidratos. “Os carboidratos são os principais nutrientes responsáveis pelo aumento da glicemia (glicose, ou açúcar do sangue)”, diz.

“Dentre os carboidratos, o açúcar refinado é o que tem maior impacto, por ser absorvido de forma muito rápida e eficiente. Portanto, um alimento diet é melhor do que um não diet exclusivamente quando comparamos a quantidade de açúcar adicionado”, destaca a endocrinologista especialista em Nutrologia.

“Mas, muito melhor do que fazer a escolha entre não diet e diet, é escolher baseado nas características nutricionais dos alimentos. Por exemplo, é melhor comer uma fruta do que um chocolate diet. O alimento diet ajuda a diversificar a alimentação do diabético e reduzir a ingestão de açúcar refinado, porém, para diabéticos tipo 2, em geral, o principal cuidado em relação à alimentação deve ser em manter uma dieta com calorias adequadas. O excesso de peso é muito mais prejudicial para o controle do diabetes do que as características do alimento consumido”, acrescenta Camila.

8. A pessoa diabética pode comer frutas à vontade

Mito. Alex Leite, coordenador da equipe de Endocrinologia das unidades Itaim e Morumbi do Hospital São Luiz, destaca que o consumo de frutas precisa ser controlado. Isso porque elas contêm um açúcar chamado frutose, que pode contribuir para o descontrole glicêmico no organismo. A recomendação, de forma geral, é que a pessoa coma no máximo quatro frutas ao dia, de tipos diferentes e em horários diversos.

9. Quem tem diabetes não deve exagerar no consumo de pães, massas e outros carboidratos

Verdade. “Os diabéticos não podem consumir alimentos que contenham grande quantidade de açúcar (que possa cair na corrente sanguínea) e os carboidratos brancos fazem isso, portanto, não devem ser consumidos em excesso”, destaca Ana Luisa.

10. Quem tem diabetes nunca mais poderá comer doces

Mito. Camila explica que quem tem Diabetes pode comer doce de forma planejada e não exagerada. “No final das contas, a ingestão de doces de um paciente diabético deve ser semelhante a de qualquer pessoa que busca saúde e qualidade de vida”, diz.

“Doces em geral são bastante calóricos e pobres nutricionalmente. Encontrar o equilíbrio é a resposta para muitas das dúvidas em relação à alimentação dos diabéticos”, destaca a endocrinologista.

11. Diabetes pode fazer a pessoa emagrecer

Verdade. “Diabetes pode fazer emagrecer quando não está bem controlado. Se a glicose está alta no sangue, significa que o corpo não está conseguindo utilizá‐la como fonte de energia. E se falta energia para o corpo, perdemos peso. É como se o paciente estivesse em jejum. Ele se alimenta, mas não consegue aproveitar a energia dos alimentos”, explica Camila.

12. Diabéticos podem consumir bebidas alcoólicas socialmente

Verdade. A bebida alcoólica não está totalmente proibida, mas seu consumo pede cuidado. “Assim como os doces, as bebidas alcoólicas devem ser consumidas de forma planejada e não exagerada”, destaca Camila.

“Cada bebida alcoólica oferece uma quantidade diferente de carboidratos (açúcares) e isso deve ser levado em conta. Além disso, é importante lembrar que o álcool aumenta o risco de hipoglicemia em diabéticos, especialmente nos que utilizam insulina ou medicamentos que estimulam a produção de insulina”, explica a endocrinologista.

“A ADA (Associação Americana de Diabetes) recomenda que o consumo diário de bebida alcoólica para os homens não exceda 2 doses de álcool (30mL) – que equivale a 2 taças (de 125mL cada) de vinho tinto – e, para mulheres, até 1 dose (15mL)”, acrescenta Camila.

13. Diabéticos podem consumir mel e caldo de cana à vontade

Mito. Leite explica que o consumo destes alimentos não é aconselhável, pois eles são ricos em açúcar e podem atrapalhar o controle da glicemia.

14. Canela controla o diabetes

Mito. Acredita-se que alguns alimentos, como, por exemplo, a canela, podem trazer benefícios no controle glicêmico. Mas o assunto gera controvérsias. Além disso, vale ressaltar: tais alimentos não substituem, de forma alguma, a necessidade de dieta, uso de medicamento e acompanhamento médico periódico.

“Não existe comprovação científica de que a canela possa ajudar a controlar o Diabetes”, destaca Camila.

15. Todo diabético precisa de aplicação de insulina

Mito. Ana Luisa destaca que depende do caso. “Mas, todos precisam cuidar da alimentação e de acompanhamento médico”, diz.

16. A aplicação de insulina é muito dolorosa

Mito. Camila explica que a insulina deve ser aplicada com seringa e agulha ou caneta injetora e agulha, no tecido subcutâneo, que é a gordura existente embaixo da pele. “Em geral, não é dolorosa, mas o limiar à dor é muito variável”, diz.

“Quando existe dor, é possível que o método e/ou local de aplicação esteja errado ou a agulha não tenha corte adequado. É comum sentir dor quando a aplicação é feita inadvertidamente no músculo ou quando a agulha é reutilizada”, destaca a endocrinologista Camila.

17. A aplicação de insulina causa dependência química

Mito. Leite destaca que a insulina não provoca dependência. “Quando o paciente precisa deste hormônio com frequência é porque ele realmente é deficiente na produção da insulina.”

18. Quem tem diabetes precisa de tratamento

Verdade. “O tratamento não medicamentoso exige mudança no estilo de vida: adequação alimentar, atividade física e perda de peso para diabéticos tipo 2”, explica Camila.

“Para diabéticos tipo 1 é necessário adaptar a utilização de insulina ao plano alimentar de cada paciente. O tratamento medicamentoso compreende um grande leque de opções e deve ser orientado caso a caso”, acrescenta a endocrinologista.

19. Quem tem diabetes não pode se exercitar

Mito. “A atividade física ajuda a controlar o diabetes e deve ser feita, sim”, diz Ana Luisa.

20. Pessoas diabéticas são mais propensas a terem outras doenças contagiosas, como, por exemplo, resfriados

Verdade. Camila explica que diabéticos são mais susceptíveis às infecções quando estão mal controlados. “O mau controle glicêmico diminui a nossa capacidade de defesa contra micro-organismos patógenos. Mesmo com controle adequado, o excesso de açúcar no sangue e na urina favorece a proliferação de algumas bactérias e fungos capazes de causar doenças”, diz.

21. O estresse pode agravar o diabetes

Verdade. “O estresse é responsável pela produção de hormônios chamados contrarreguladores, isto é, que se opõem ao efeito da insulina. Por isso, é possível, teoricamente, que possa desencadear o diabetes ou piorar o controle glicêmico de um portador de diabetes”, destaca Camila.

22. É possível evitar o diabetes

Verdade. Camila explica que o diabetes tipo 2, muitas vezes, pode ser evitado adotando‐se uma dieta adequada à necessidade calórica e nutricional e praticando-se atividade física regularmente.

“Algumas vezes, mesmo seguindo essas orientações, as pessoas podem desenvolver diabetes por terem uma forte predisposição genética”, esclarece a endocrinologista.

Agora você provavelmente esclareceu suas principais dúvidas sobre diabetes. Vale lembrar que esta é uma doença grave, que deve ser controlada, e ainda, que é possível evitá-la com atitudes simples, como adotar uma alimentação equilibrada e se exercitar.



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