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Mulher passa 8 horas por dia arrancando a própria pele

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Abrir buracos nas próprias pernas, braços, peito e até mesmo no rosto: esta era a rotina de Angela Hartlin até pouco tempo atrás, quando conseguiu, finalmente, controlar o distúrbio que dominou sua vida por anos a fio.


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Portadora da dermatotilexomania, um distúrbio que produz um impulso incontrolável de espremer, arranhar e machucar a pele. Como resultado da doença, Angela desenvolveu um quadro de depressão, e chegou mesmo a tentar acabar com a própria vida.

Os médicos diziam que Angela, de 29 anos, jamais se recuperaria do problema. Desesperançada, ela abandonou a faculdade e passou a se esconder, com pânico de ser vista em público. Angela era, como ela mesma define, uma prisioneira da sua própria casa. Agora, no entanto, graças à terapia, a canadense conseguiu se recuperar de maneira surpreendente — e sua pele está completamente curada.

— Eu cutucava minha pele por oito horas, todos os dias. Eu odiava minha aparência depois, mas havia uma espécie de alívio quando eu fazia aquilo. Era muito automático, mas eu não entendia o por quê de me machucar. Eu dizia a mim mesmo que eu devia ser louca. Durante a minha adolescência, eu era muito fechada. Nunca contei nada a ninguém, e fingia que eram marcas de acne. Nas aulas de educação física, eu só me trocava no banheiro, nunca tomava banho na frente de ninguém. Escondia minhas pernas, e nunca namorei.

Angela chegou ao fundo do poço quando tinha 18 anos.

— Eu tentei me matar. Eu estava na faculdade, e me sentia muito isolada, convivendo com este distúrbio e sem conseguir suportar minha própria imagem. Os médicos disseram que eu não encontraria nunca a cura, e que teria que viver daquele jeito para sempre.

Depois de 12 semanas de tratamento psiquiátrico intenso, ela finalmente começou a se recuperar.

— Usei diferentes técnicas para bloquear a mania. Meu terapeuta me ofereceu as ferramentas, e pude identificar os gatilhos do meu comportamento. Notei uma mudança completa inclusive na maneira com que eu via o mundo. Quando eu tinha 10 anos, meu pai sofreu um aneurisma e, mesmo tendo sobrevivido, aquilo o modificou completamente. Foi difícil pra mim, porque era como um luto, mas ele ainda estava vivo.

— Ainda não estou livre completamente do problema. Há, sim, dias em que eu sinto o impulso. Gostaria apenas que as pessoas soubessem que, se têm algo como eu, não estão sozinhas no mundo, e há meios de buscar ajuda. Vir a público contar a minha história tirou um enorme peso dos meus ombros. Agora sei que não preciso esconder esta parte de mim.


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