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Sabes o que as bebidas energéticas fazem ao teu corpo? E às crianças? É preocupante!

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Muita gente não sabe o que este tipo de bebidas, geralmente chamadas de “bebidas energéticas”, faz ao nosso corpo depois de ingeridas. Se calhar se soubessem muita gente já as consumiria menos, e nunca na vida deixaria os seus filhos consumir este tipo de bebidas.

Dar bebidas energéticas para as crianças não parece ser uma grande ideia, mas muitas delas acabam por consumir este tipo de produto.

Uma nova pesquisa mostra que milhares de crianças enfrentam efeitos colaterais graves – e potencialmente mortais – após o consumo das mesmas..

Mais de 5 mil casos de pessoas que ficaram doentes foram relatados nos centros de controle de envenenamento dos Estados Unidos entre 2010 e 2013.

De acordo com um estudo apresentado numa reunião da Associação Norte-Americana do Coração, quase metade desses casos foram de crianças que não perceberam o que estavam a beber.

Muitos desses casos envolviam efeitos secundários graves, como convulsões, arritmias cardíacas ou pressão arterial perigosamente alta. As crianças menores de 6 anos de idade muitas vezes bebiam estes produtos por engano. “Elas não vão a uma loja e os compram; elas encontraram-os no frigorífico, deixados pelo pai ou um irmão mais velho”, explica o coautor Steven Lipshultz, pediatra-chefe do Hospital Infantil de Michigan.

Bebidas perigosas?

Estas bebidas contêm altos níveis de açúcar e, no mínimo, mais cafeína que uma chávena de café. Porém, os fabricantes muitas vezes incrementam os efeitos de aumento de energia com uma mistura de outros ingredientes, que vão desde taurina e carnitina – um aminoácido natural – ao ginseng, uma erva chinesa normalmente usada na medicina alternativa.

Mas, apesar dessa “mistura especial” de ingredientes, os estudos sugerem que as bebidas não aumentam mais a atenção do que uma chávena de café.

Elas podem ter efeitos colaterais desagradáveis. Em 2007, Lipshultz começou a notar que as crianças e adultos que consumiram davam entrada nas salas de emergência. Foi aí que começou a se perguntar se uma nova tendência preocupante estava a ocorrer. Assim, ele e os seus colegas decidiram rastrear os dados dos centros de controle de intoxicação em todo o mundo.

Em 2011, a equipa relatou que os casos de doenças associadas ao consumo destas bebidas tinham disparado, com efeitos colaterais como problemas cardíacos, danos no fígado, convulsões e até morte.

Agora, para ver se a tendência mudou recentemente, Lipshultz e os seus colegas analisaram dados de todos os centros de controle de envenenamento dos EUA entre Outubro de 2010 e Setembro de 2013. Eles descobriram que 5.156 casos foram relatados, com cerca de 40% envolvendo crianças com menos de 6 anos de idade.

Além disso, as bebidas que incluíam certos aditivos, tais como aminoácidos e extractos de plantas, tendem a causar problemas mais graves do que aquelas que apenas incluíam cafeína em pó.

Os extractos podem conter cafeína adicional que não é registada no rótulo da bebida e compostos que ainda não foram bem estudados e que poderiam estar a causar os efeitos desconhecidos adicionais, especialmente quando consumidos em conjunto com muitos outros aditivos e cafeína.

“Realmente não podes dissecar o que é o efeito do ginseng, o que é o efeito da taurina, o que é o efeito de guaraná, o que é o efeito da cafeína”, conta Lipshultz.

Uma rotulagem melhor?

A maioria das pessoas não está ciente do potencial que estas bebidas têm de efeitos secundários graves. Como resultado, adultos podem deixar as bebidas acessíveis, sem saber, colocando as crianças em risco.

Rotular as bebidas com algo semelhante ao aviso do Ministério da Saúde que aparece em cigarros poderia ajudar a reduzir algumas destas exposições não intencionais, opina o cientista.

Crianças e adultos com factores de risco subjacentes (tais como problemas com convulsões, arritmia ou uma predisposição para pressão arterial elevada), bem como os que estão a cargo dessas crianças, também devem saber dos riscos e serem aconselhados a não consumir bebidas energéticas.



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