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Uma mão toca a saia da menina. Mas quando o abusador vê ISSO, ele retira sua mão discretamente.

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Não é só no Brasil que meninas e mulheres passam por situações constrangedoras no transporte público. No Japão, também é comum que passageiros mal intencionadostentem tirar proveito de trens e ônibus lotados, tocando discretamente as partes íntimas de suas vítimas. E é por isso que uma mãe, cansada de ouvir as queixas frequentes de sua filha, resolve unir forças para buscar uma solução.

Esta mulher corajosa se chama Mari Tonooka e mora em Tóquio, no Japão. Sua filha está no segundo ano do segundo grau e vai sozinha de metrô para a escola. Com muita frequência, a menina percebe roçadase apalpadas intencionais quando está espremida dentro de um vagão cheio. Ela é uma garotaquieta e tímida: a vítima perfeita para os abusadores,pois eles sabem elas dificilmente farão um escândalo. Ao longo dos meses, mãe e filha planejam estratégias diferentes: pegaroutro trem, carregar uma espécie de buzina escondida, pedir que colegas do sexo masculino a acompanhem… Mas nada parece funcionar e a menina volta muitas vezes para casa chorando.

Com o passar do tempo, a tímida garotaconsegue reunir coragem suficiente para dizer “pare com isso” ao sentiruma mão intrusa. Porém, ela é em geral ignorada, ou pior: às vezes o abusador grita com ela, dizendo em voz alta que ela é mentirosa e o está acusando injustamente.Sem saber mais o que fazer, ela se sente sozinha nesta luta diária. Entretanto, tudo muda no início deste ano, quando a menina chega a seu limite e resolve chamar a polícia ao perceber que está sendo tocada. O homem é então indiciado e sentenciado.

Após este incidente, mãe e filha começam a pensar em uma maneira de prevenir os ataques. Elas não querem ter que sempre levar o caso às autoridades. As duas desejam apenas que os homens pensem duas vezes e simplesmente não perpetrem o abuso. Conversando com outras pessoas, Mari e sua filha chegam a conclusão que a melhor arma seria avisaro potencial abusador das possíveis consequências de tal ato ilegal. Em abril de 2015, elas apresentam sua ideia: uma espécie de placa ou cracháonde se lê “Abuso sexual é crime. Eu não ficarei em silêncio!” Após impresso e preparado, a filha de Mari é a primeira a usá-lo e vai para a escola com o aviso pendurado nas suas costas, bem na altura do ombro.

A grande surpresa foi que os abusos de fato cessaram! A estratégia deu certo! E não foi necessário levantar a voz e nem reunir forçase coragem. Animada com os resultados, a mãe coloca uma foto da sua ideia nas mídias sociais e acaba recebendo muitas respostas positivas. Ao perceberque milhares deoutras meninas e mulheres gostariam também de ter uma placa destas, Mari e sua filha criamo projeto “Crachá Contra o Abuso Sexual”. Com a ajuda de entusiastas, elasdesenvolvem inclusive um novo design, colocando os dizeres em um botton.

O próximo passo foi lançarumacampanha na Internet para arrecadarfundos para promover, produzir, e distribuir estes salvadores objetos. Apesar da arrecadação ainda estar em andamento, a resposta no Japão tem sido bem positiva e o projeto virou tema de reportagem em vários jornais e canais de televisão deste país asiático.

No Brasil, este também é um tema sério. NoParaná, por exemplo, aGuarda Municipal de Curitiba registrou entre 1º de janeiro e 10 de agosto de 2015, 44 casos de abusos e violência sexual contra mulheres dentro dotransporte público dacidade. Esse número épraticamente o dobro do computado no mesmoperíodo do ano anterior, que somou 28 ocorrências. Pensando neste problema, o metrô do Rio de Janeiro instituiu há 7 anos vagões cor de rosa, destinados exclusivamente a mulheres. Além disso, outras cidades planejam ações semelhantes.

Entretanto, os números oficiais ainda são pequenos perto da realidade, já que muitas vítimas preferem se calar e não denunciam seusagressores.Milhares de meninas e mulheres ficamenvergonhadas com a situaçãoou se sentem intimidadas pelos abusadores e acabam não levandoo caso às autoridades. Justamente por isso este crachá é uma ideia genial: ele previne o crime antes que ele ocorra, sem que medidas legais precisem ser tomadas.

Mas é claro que a ideia só funciona se as mulheres levarem a cabo a ameaça escrita nas palavras do texto, e de fato gritarem e chamarem ajuda caso sejam indevidamente tocadas. Resta saber se este projeto funcionaria no Brasil, porém é necessário discutir este problema e a estratégia inventada por esta mãe japonesa representa ao menos uma pequena luz no fim do túnel. Se você aprova esta ideia e é contra este assédio cotidiano no transporte público, então compartilhe este artigo! Mulheres: não fiquem em silêncio!




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