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Descoberta em Santa Catarina, planta pode substituir o sal de cozinha

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Em Santa Catarina, a planta foi descoberta há quase 10 anos pela bióloga e fitoterapeuta Cecilia Cipriano Osaida e pelo pesquisador da Epagri na época, agora aposentado, Amaury Silva Júnior.

— Sempre fazíamos expedição para coleta de material. Quando estávamos caminhando na praia, a planta chamou atenção, porque parecia um cáctus, mas estava na água — relembra a fitoterapeuta.

A planta foi localizada no Bairro Barra do Aririú, em Palhoça, na Grande Florianópolis, porém devido a aterramentos e degradação, encontra-se quase em extinção na área. Porém há registros da espécie em São Francisco do Sul e Rio Grande do Sul, o que levanta a hipótese de que ela está presente em toda o litoral, o que será verificado em pesquisa futura da Epagri.

Segundo a bióloga, o fato da planta estar presente em região de transição entre mangue e mar pode explicar o sabor salgado do pó extraído da planta.

— Agora o próximo passo é o protocolo de cultivo. Já pensou usar um sal que baixa ao invés de aumentar a pressão arterial? É isso que o sal verde faz — explica Cecilia.

Alexandre Visconti, pesquisador do projeto Flora Catarinense da Estação Experimental da Epagri em Itajaí, afirma que já foram feitas análises químicas da planta e se mostraram muito promissoras, principalmente pela menor concentração de sódio e concentração de potássio. Porém o grande desafio é como e onde plantar a espécie para ter volume suficiente para atender uma escala comercial e então chegar ao mercado:

— Temos um projeto, orçado em R$ 300 mil, que prevê produzir em áreas onde eram cultivados camarões. Então temos que ver se o sistema de produção mantém as características da planta. O que está faltando mesmo é a equipe de trabalho, ainda sem previsão, pois dependemos de concurso público — explica.

Os estudos, que devem durar até três anos, ainda não têm data para iniciar.

O uso no dia a dia da substância

Embora não saiba precisar quanto custaria para o consumidor final o primeiro sal de origem vegetal produzido no Brasil, o pesquisador da Epagri, Alexandre Visconti, afirma que “com certeza seria mais caro que o sal comum”. Na Europa e em países como México e Kuwait, a planta, que é de outra espécie, é comercializada como tempero, salada, cosméticos, óleo essencial, porém custa caro. O sal cristalizado chega a ser comercializado por oito euros (cerca de R$ 29) a grama.

A empresa Dynabras Biossistemas, com sede em São Paulo (SP), trabalha com produtos naturais e firmou convênio com a Epagri para produção industrial do sal verde. A ideia é vendê-lo cristalizado também. Para isso, aguardam a conclusão dos estudos do órgão. Depois dessa etapa, a expectativa é investir cerca de R$ 1,5 milhão em uma fábrica em Santa Catarina.

UFSC pesquisa produção integrada da planta e de camarões

A Universidade Federal de Santa Catarina estuda a Sarcocornia Ambigua há cerca de cinco anos, porém as pesquisas se intensificaram nos últimos dois anos. O interesse deles está além da produção de sal, mas no cultivo integrado com camarões. O processo é chamado de aquaponia com bioflocos, que é um sistema inovador e altamente sustentável, já que promove o crescimento dos animais aquáticos e das plantas de forma integrada.

Walter Quadros Seiffert, coordenador do Laboratório de Camarões Marinhos da UFSC explica que o processo é o máximo do reaproveitamento e que já existe aquaponia com alfaces e outras plantas e peixes de água doce, porém com água salgada é muito raro, já que as plantas não sobrevivem ao sal, ao contrário da Sarcocornia.

— É a primeira pesquisa desse tipo no Brasil. Agora estamos estudando para desenvolver as viabilidade técnica e econômica. Além de aguentar sal, é um alimento funcional — diz Seiffert, que desenvolve os estudos com oito estudantes e em parceria com os departamentos de Tecnologia de Alimentos e laboratório de Hidroponia da UFSC e tem financiamento do CNPQ.

O pesquisador Walter Seiffert (E) e o mestrando Joaquim da Rocha. Foto: Diorgenes Pandini / Agência RBS

Em uma estufa do Laboratório, há pelo menos 800 plantas. É comum pesquisadores do local prepararem pratos com a espécie como acompanhamento. É o caso da acadêmica do curso de Aquicultura da UFSC Luciana Guzella, que a refoga com camarões e peixes:

— Conheci a planta no laboratório e uso desde então como acompanhamento. Ela ajuda a temperar e gosto do sabor.

Em alguns anos e se as pesquisas avançarem, mais catarinenses devem contar com este ingrediente saudável no cardápio.



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