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16 dúvidas que toda garota tem sobre a primeira menstruação

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Para as mulheres, esse momento da vida geralmente é marcado pela primeira menstruação, chamada tecnicamente de menarca, e traz consigo uma série de dúvidas. Lidar com as inseguranças e os novos cuidados necessários com o seu corpo exige um grande apoio por parte dos pais. “O diálogo a respeito do assunto e a orientação sem tabus geram cumplicidade e confiança”, afirma o Dr. Claudio Basbaum, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo.

Até que a adaptação a esse novo fenômeno aconteça, é necessário que a menina se sinta à vontade para esclarecer suas dúvidas e, caso os pais não se sintam preparados para dar as orientações necessárias à filha, uma primeira consulta ao ginecologista pode ser uma boa opção.

Se você está passando por esse momento agora ou conhece alguém que está, o Dicas de Mulher selecionou 16 dúvidas que comumente aparecem na cabeça das mulheres quando a menarca se aproxima ou efetivamente acontece. As questões foram respondidas pelos ginecologistas e obstetras Dr. Alfonso Massaguer, da Clínica Mãe de São Paulo, e Dr. Claudio Basbaum.

Dúvidas mais frequentes sobre a primeira menstruação

Embora seja bastante íntima e totalmente relativa a fatores individuais e pessoais, a relação com a menstruação ainda desperta dúvidas recorrentes em muitas mulheres. Como é um processo novo do corpo, pode ser que algumas das novidades pareçam intimidantes em um primeiro momento, mas esse é um caso em que ninguém está sozinha e facilmente seus questionamentos e inseguranças podem ser solucionados.

1. Afinal, o que é a menstruação?
Pode-se dizer que a menstruação funciona como um aviso do organismo de que o corpo da mulher já pode gerar um bebê. Assim, quando não há fecundação do óvulo, o sangramento menstrual ocorre e isso “nada mais é do que a descamação da camada superficial do endométrio, o tecido que reveste internamente o útero”, explica o Dr. Claudio.

Por se tratar de um processo cíclico, a menstruação deve acontecer mensalmente, como resultado da ação dos hormônios estrogênio e progesterona, que são produzidos pelos ovários. Atrasos do fluxo, portanto, podem indicar desequilíbrios hormonais ou gravidez, já que o endométrio não descama para manter o embrião durante a gestação.

2. Como saberei que vou menstruar pela primeira vez?
Geralmente, as mudanças corporais que sinalizam a proximidade da menarca acontecem com cerca de 24 a 30 meses de antecedência da menstruação. Esses “primeiros eventos que anunciam a menarca são a telarca, representada pelo surgimento do botão mamário, seguido pela pubarca, marcada pelo surgimento dos pelos pubianos e axilares”, enumera o ginecologista.

A menarca depende de diversas características individuais e até externas, como o lugar em que a menina vive, mas normalmente acontece entre os 10 e os 14 anos.

3. Por que todas as minhas amigas já menstruaram e eu não?
O Dr. Claudio destaca os fatores racial, étnico, de habitat, climáticos, alimentares, nutricionais, assim como o efeito da luminosidade do sol sobre o hipotálamo e as características do índice de massa corpórea (IMC) de cada menina como as possíveis variáveis para os padrões de idade em que a ocorrência da menarca são mais comuns. No entanto, “se os fenômenos menstruais acontecem antes ou depois das idades reconhecidas como fisiológicas para essas condições, é fundamental que seja feita uma avaliação especializada no campo endócrino-ginecológico”, adverte.

4. As pessoas saberão que eu menstruei?
A menarca traz consigo uma série de mudanças corporais bastante naturais às mulheres. Como ocorrem com o passar do tempo, não há nada que indique efetivamente que a partir daquele momento você é uma garota que menstrua.

Após a primeira menstruação, as ações hormonais cíclicas “exercem importante transformação no ciclo de crescimento, promovem a distribuição considerada feminina da gordura corpórea, além das modificações genitais propriamente ditas, sejam internas, como crescimento do útero; e externas, como o aumento das mamas, estirão puberal — rápido aumento da estatura –, alteração dos pelos e coloração dos genitais externos”, exemplifica o médico.

5. É verdade que vou parar de crescer depois que menstruar pela primeira vez?
O médico da Clínica Mãe, Dr. Alfonso Massaguer, afirma que o crescimento não estaciona completamente após a menarca, mas continua em ritmo desacelerado por cerca de 2 a 4 anos. “Meninas que menstruam cedo tendem a crescer por mais tempo que meninas que menstruam tarde”, destaca.

Essa variação acontece porque o crescimento não depende exclusivamente do fator hormonal. Características genéticas, nutricionais e ambientais também colaboram na formação da estatura de uma menina.

6. Com o quê devo me preocupar depois que menstruo?
O maior cuidado necessário após a menarca diz respeito à possibilidade de gravidez, pois os órgãos genitais internos já estão preparados para uma possível fecundação. De qualquer modo, o início da vida sexual deve ser acompanhado da prevenção, principalmente por meio de preservativos, que evitam tanto a gravidez indesejada quanto o contágio por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

O Dr. Claudio também alerta para a necessidade de uma boa higiene íntima, já que o sangue menstrual torna a região mais propícia à proliferação de bactérias. Se houver interesse, também pode ser feito o uso de sabonetes íntimos, mas com bastante cautela.

Além disso, outros fatores mais lembrados também exigem atenção, como a escolha de um absorvente higiênico ao qual você se adapte bem e a administração de outros sintomas do período menstrual, como a cólica.

7. A menstruação causará mudanças na minha rotina?
Muitos mitos rondam a menstruação. Há quem acredite que, nesses dias, a mulher não deve lavar o cabelo ou ingerir alimentos gelados, por exemplo, mas a verdade é que “em condições de normalidade, não existem restrições específicas nas atividades da mulher”.

As restrições por conta da menstruação acontecem de acordo com as necessidades de cada mulher. Fluxo muito abundante e dores podem causar limitações por causa do desconforto. Em alguns casos, pode ser necessário procurar um(a) médico(a) e fazer uso de medicamentos.

8. É normal sentir muita cólica?
Quando a ocorrência de cólicas muito dolorosas é alta e “prejudica qualidade de vida da mulher, ou seja, impede que as atividades rotineiras sejam realizadas e geram prejuízo psicológico, social ou profissional, é necessário que seja feita uma investigação pelo(a) médico(a)”, afirma o Dr. Alfonso Massaguer, alertando para o risco de doenças como a endometriose, a adenomiose e a miomatose.

9. O que é a TPM e como devo lidar com ela?
A famosa tensão pré-menstrual (TPM) é o conjunto de sintomas que antecedem o período menstrual. Essas manifestações podem ser tanto físicas quanto psíquicas, o Dr. Alfonso lista como as mais comuns as seguintes: “irritabilidade, fadiga, depressão, confusão mental, dor nas mamas, dor de cabeça, inchaço, ganho de peso, distensão abdominal e até acne discreta”.

Assim como acontece com as cólicas, a TPM só se torna preocupante quando passa a afetar a qualidade de vida da mulher. Se o caso não for esse, a convivência com os sintomas pode ser norteada de acordo com o seu bem-estar, “alguns alimentos e até medicamentos podem ser destinados ao alívio desses desconfortos”, afirma Claudio.

10. Por quanto tempo eu vou ter sangramento menstrual?
“A duração habitual do fluxo é de 3 a 5 dias e a média de perda sanguínea é variável, mas gira em torno de 30 a 40 ml/dia”, esclarece o Dr. Claudio. Além do fluxo, há outros detalhes que ajudam a caracterizar seu ciclo, facilitando o controle sobre sua menstruação. “A duração média de um ciclo menstrual é de 28 dias, a contar do primeiro dia de um fluxo até a véspera do período menstrual seguinte”, explica.

Nesse sentido, identifica-se um ciclo regular como aquele com intervalo de 25 a 34 dias entre uma menstruação e outra. Já os intervalos superiores a 35 dias são considerados como um ciclo longo e quando há apenas o tempo de três semanas (ou menos), o ciclo é curto.

11. O que preciso saber sobre meu ciclo menstrual?
A melhor maneira de conhecer bem o seu ciclo menstrual é anotando dados sobre suas menstruações. É importante, até para ajudar na percepção de possíveis disfunções ou anomalias, manter um controle de datas, “sobretudo para as mulheres que já tiveram sua iniciação sexual. Para essas, é válido atentar-se para seu período fértil, bem como programar-se para métodos contraceptivos seguros”, orienta o ginecologista.

Claudio também recomenda que sejam registradas características como a intensidade e volume do fluxo, a ocorrência de cólicas em termos de frequência em níveis de dor. Para tanto, é possível contar com o auxílio de aplicativos para smartphone, como o Glow e o SaiCólica (disponíveis para Android e iOS), que permitem a inserção de informações como essas e ainda notificam para que você não se esqueça de tomar o anticoncepcional.

12. Minha menstruação é desregulada: isso é normal?
“Nos primeiros dois anos após a menarca, os hormônios sexuais femininos ainda não costumam ter sua produção completamente regular, isso é chamado de ‘imaturidade’ e resolve-se espontaneamente na grande maioria das mulheres”, tranquiliza o Dr. Alfonso.

Contudo, se após o período de imaturidade você não consegue entender os padrões do seu ciclo ou percebe que sua menstruação é desregulada, com muita diferença entre as datas de início do fluxo, é necessário que um(a) médico(a) seja consultado(a) para que seja feito um diagnóstico do que está havendo.

13. É normal ter bolinhas na menstruação?
Segundo o Dr. Alfonso, a variação da textura do sangue menstrual se deve aos diferentes volumes de fluxo. “O sangue pode se tornar mais espesso como coágulo ou mudar de cor, tornando-se marrom quando em contato com oxigênio”, exemplifica.

Em casos em que sejam notadas alterações muito drásticas ou repetidas, vale conversar com o(a) seu/sua médico(a) para uma possível avaliação. Principalmente se a ocorrência for acompanhada de dores fortes ou outros sintomas incomuns à sua fisiologia.

14. Agora que menstruei, preciso tomar anticoncepcionais?
Para meninas mais novas, que acabaram de ter sua menarca, os anticoncepcionais costumam ser indicados principalmente para regular o ciclo e o fluxo menstrual. Porém, o uso predominante desse tipo de medicamento é para a prevenção da gravidez indesejada.

Em todo caso, é essencial que o anticoncepcional seja receitado por um(a) médico(a) genecologista, pois, conforme alerta Alfonso Massaguer, o uso desse remédio “traz riscos maiores que benefícios, sendo contraindicados em casos de câncer de mama, fígado ou órgãos genitais; de trombose venosa, infarto ou AVC, bem como de doenças graves do fígado, enxaqueca com aura, gestação e alergia a componentes da fórmula”. Pode também haver restrições para mulheres fumantes, obesas e portadoras de doenças como o lúpus e a epilepsia.

O especialista também lembra que o uso de preservativos nunca deve ser abandonado, pois esse é o único método contraceptivo que previne doenças sexualmente transmissíveis, além da gestação.

15. É verdade que o uso de anticoncepcionais ajuda a combater as espinhas?
É importante se ter em mente que o uso do anticoncepcional não deve ser feito por conta do objetivo único de melhorar a acne. Alguns remédios, receitados tanto para a prevenção da gravidez quanto para a regulação do ciclo menstrual, podem ajudar a melhorar o aspecto da pele, mas também existe o risco da situação piorar caso o medicamento não seja adequado.

Portanto, a opção por esse método “só deve ser feita por um(a) ginecologista ou dermatologista, já que todo hormônio pode acarretar riscos e efeitos colaterais”, define o Dr. Alfonso.

16. Com que frequência é preciso ir ao ginecologista?
Salvos os casos em que os pais preferem que a filha receba as primeiras orientações sobre menstruação diretamente de um(a) ginecologista, é comum que a primeira visita a um(a) médico(a) seja logo depois da menarca. Se não há alterações recorrentes no ciclo e no fluxo menstrual, uma visita anual é o suficiente.

A frequência deve aumentar “caso exista desconforto ou irregularidades no ciclo ou volume menstruais, alterações de pele, emocionais ou início da vida sexual”, indica Alfonso. Nessas situações, a periodicidade das consultas é determinada de acordo com as necessidades de cada mulher.



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